Pliosauro
Pliosaurus funkei
"Lagarto de Funke (em homenagem a Bjørn Funke, descobridor do holótipo)"
Sobre esta espécie
O Pliosaurus funkei, apelidado de Predator X antes da descrição científica formal, é um dos maiores répteis marinhos predadores já descobertos. Viveu no Titoniano (final do Jurássico, cerca de 150 a 145 milhões de anos atrás) nos mares rasos do Ártico primitivo, hoje o arquipélago de Svalbard, Noruega. Estimativas iniciais de 15 metros foram revisadas para baixo, situando o animal entre 10 e 12 metros e cerca de 11 toneladas. Sua mandíbula estava entre as maiores de qualquer predador marinho já encontrado, e seus membros anteriores, especialmente alongados, sugerem propulsão potente. Descoberto entre 2004 e 2012 pela equipe de Jørn Hurum, Patrick Druckenmiller e Espen Knutsen, foi nomeado formalmente em 2012 em homenagem a Bjørn Funke e May-Liss Knudsen Funke.
Formação geológica e ambiente
A Slottsmøya Member é uma unidade de aproximadamente 75 metros de espessura rica em matéria orgânica, parte da Formação Agardhfjellet que aflora em Spitsbergen central, Svalbard, Noruega. Datada do Volgiano Médio a Berriasiano (Titoniano a início do Cretáceo), foi depositada em plataforma continental boreal externa de baixa energia, em profundidades estimadas de 150 metros. O ambiente incluía carbonatos de cold seep (exsudações de metano) que criaram condições excepcionais de preservação. A unidade é reconhecida internacionalmente como Konservat-Lagerstätte ártica, com mais de 60 espécimes de répteis marinhos (plesiossauros, ictiossauros e pliosaurídeos como P. funkei) documentados entre 2004 e 2012, além de invertebrados, peixes e microfósseis. É um dos sítios mais importantes para entender ecossistemas marinhos boreais do Alto Jurássico.
Galeria de imagens
Reconstituição em vida de Pliosaurus funkei por Dmitry Bogdanov (2021), baseada na descrição formal de Knutsen, Druckenmiller & Hurum (2012). Animal de 10 a 12 metros com nadadeiras anteriores notavelmente alongadas.
Dmitry Bogdanov, CC BY-SA 4.0
Ecologia e comportamento
Habitat
Pliosaurus funkei habitava o mar boreal que cobria a atual região de Svalbard no Titoniano (~150 a 145 Ma). A Slottsmøya Member da Formação Agardhfjellet registra uma plataforma continental externa de baixa energia, com profundidades estimadas em torno de 150 metros, em paleolatitude entre 45° e 65° norte. A deposição era dominada por folhelhos e siltitos com matéria orgânica abundante, com carbonatos de cold seep (exsudações de metano) localizados que criaram microambientes de preservação excepcional (Hurum et al., 2012). O clima era relativamente ameno comparado ao atual Ártico, mas já apresentava sazonalidade marcada. A fauna associada incluía plesiossauros de pescoço longo (Colymbosaurus svalbardensis, Djupedalia, Ophthalmothule), ictiossauros oftalmossaurídeos, peixes teleósteos, cefalópodes (belemnites, amonoides) e invertebrados bentônicos diversos.
Alimentação
P. funkei era o predador marinho de topo de seu ecossistema. Sua mandíbula, com comprimento estimado em 2 a 2,5 metros no espécime referido PMO 214.136, é uma das maiores de qualquer predador marinho já descobertas. Os dentes, trihedrais em secção transversal e com até 20 cm de comprimento, eram adaptados para mordidas potentes em presas grandes, não para piscivoria especializada (Zverkov et al., 2018). Análises biomecânicas em pliosaurídeos aparentados (Foffa et al., 2014) estimam força de mordida entre 9.600 e 48.300 Newtons em Pliosaurus kevani, e P. funkei, sendo maior, exerceria valores proporcionalmente superiores. A estratégia alimentar não envolvia torcer ou sacudir a presa, mas aplicação direta e precisa da mandíbula para secção de tecidos. Presas prováveis incluíam outros plesiossauros, ictiossauros grandes e tubarões jurássicos.
Comportamento e sentidos
O comportamento de P. funkei é inferido por comparação anatômica com outros pliosaurídeos e por analogia com predadores marinhos modernos. A locomoção utilizava sistema de quatro nadadeiras coordenadas, com as nadadeiras posteriores aproveitando o vórtice gerado pelas anteriores para aumentar em até 60 por cento o empuxo e em 40 por cento a eficiência (Muscutt et al., 2017). Em P. funkei, os membros anteriores eram proporcionalmente mais longos, o que sugere maior capacidade de aceleração em emboscadas. A visão provavelmente era lateral, adequada para detectar presas a distância em águas relativamente claras da plataforma continental. O comportamento reprodutivo não está diretamente documentado, mas evidências de outros plesiossauros indicam viviparismo, ou seja, parto de filhotes vivos e grandes, sem retorno à terra.
Fisiologia e crescimento
Pliosaurídeos grandes como P. funkei provavelmente apresentavam metabolismo elevado, próximo ao endotérmico, inferido por análises isotópicas de esmalte dental em plesiossauros (Zverkov et al., 2018). Essa fisiologia era necessária para sustentar atividade predatória em águas boreais relativamente frias, embora mais quentes que o Ártico moderno. O tamanho corporal (~11 toneladas estimadas) implica longevidade alta, possivelmente décadas de vida, consistente com o ritmo lento de formação dental identificado em outros pliosaurídeos (Kear et al., 2017). Não há evidência direta de crescimento ósseo explosivo semelhante ao de T. rex, mas os ciclos lentos de substituição dental sugerem estratégia reprodutiva K-selecionada, com poucos filhotes grandes e cuidado estendido.
Paleogeografia
Configuração continental
Ron Blakey · CC BY 3.0 · Jurássico, ~90 Ma
Durante o Titoniano (~150–145 Ma), Pliosaurus funkei habitava a Pangeia em processo de fragmentação. A América do Norte e a Europa ainda estavam próximas, e o Atlântico Norte mal começava a se abrir. O clima era quente e úmido em escala global, sem calotas polares.
Inventário de Ossos
Baseado em dois espécimes principais: o holótipo PMO 214.135 (mandíbula anterior com dentes, vértebras, coracóide direito completo e membro anterior direito quase completo) e o espécime referido PMO 214.136 (crânio parcial e ossos fragmentários). Ambos estão depositados no Museu de História Natural da Universidade de Oslo.
Estruturas encontradas
Estruturas inferidas
Literatura Científica
15 artigos em ordem cronológica — do artigo de descrição original até pesquisas recentes.
A new species of Pliosaurus (Sauropterygia: Plesiosauria) from the Middle Volgian of central Spitsbergen, Norway
Knutsen, E.M., Druckenmiller, P.S. & Hurum, J.H. · Norwegian Journal of Geology
Artigo fundador da paleontologia de Pliosaurus funkei. Knutsen, Druckenmiller e Hurum descrevem formalmente a espécie com base em dois espécimes parciais (PMO 214.135, holótipo, e PMO 214.136, referido) coletados em oito temporadas de campo entre 2004 e 2012 no sul do Sassenfjorden, Svalbard. A dentição e a morfologia pós-craniana suportam a atribuição ao gênero Pliosaurus, previamente conhecido do Kimmeridgiano e Titoniano da Inglaterra, França e Rússia. As dimensões esqueléticas indicam que P. funkei estava entre os maiores pliosaurídeos conhecidos, com membros anteriores proporcionalmente mais longos do que em outras espécies. Antes desta publicação, o material era mundialmente conhecido como Predator X, apelido dado pela mídia após o documentário do History Channel de 2009. O epíteto específico funkei homenageia Bjørn Funke, descobridor do holótipo, e sua esposa May-Liss Knudsen Funke, por anos de serviço voluntário nas coleções paleontológicas do Museu de História Natural da Universidade de Oslo.
Redescription and taxonomic clarification of 'Tricleidus' svalbardensis based on new material from the Agardhfjellet Formation (Middle Volgian)
Knutsen, E.M., Druckenmiller, P.S. & Hurum, J.H. · Norwegian Journal of Geology
Estudo paralelo à descrição de P. funkei que redescreve outro plesiossauro da mesma formação, contextualizando a fauna de Svalbard. Knutsen e colegas demonstram que o material histórico descrito por Persson em 1962 como Tricleidus svalbardensis deve ser transferido para o gênero Colymbosaurus, grupo conhecido do Reino Unido. A contribuição é importante para entender o ecossistema em que P. funkei viveu: mares boreais do Titoniano habitados por múltiplos plesiossauros de pescoço longo que serviam de presa para o grande pliosaurídeo. O trabalho faz parte do projeto multidisciplinar liderado por Jørn Hurum sobre os répteis marinhos do Alto Jurássico de Spitsbergen, que entre 2004 e 2012 documentou dezenas de espécimes na Slottsmøya Member da Formação Agardhfjellet.
An Arctic Lagerstätte, the Slottsmøya Member of the Agardhfjellet Formation (Upper Jurassic, Lower Cretaceous) of Spitsbergen
Hurum, J.H., Nakrem, H.A., Hammer, Ø., Knutsen, E.M., Druckenmiller, P.S., Hryniewicz, K. & Novis, L.K. · Norwegian Journal of Geology
Trabalho que caracteriza o contexto geológico e paleontológico em que P. funkei foi encontrado. Os autores documentam a Slottsmøya Member como uma Lagerstätte ártica, ou seja, um depósito de preservação excepcional. A formação acumulou folhelhos e siltitos em ambiente marinho de baixa energia, com carbonatos de cold seep (exsudações de metano) que favoreceram a preservação dos esqueletos. Entre 2004 e 2011, a equipe documentou dezenas de espécimes de plesiossauros, ictiossauros, invertebrados e vertebrados menores. O paleoambiente era uma plataforma continental boreal externa, aproximadamente 150 metros de profundidade, em latitudes que na época correspondiam ao intervalo de 45 a 65 graus norte. O artigo é referência obrigatória para entender como e por que os ossos de P. funkei chegaram até nós em estado identificável.
Cranial anatomy, taxonomic implications and palaeopathology of an Upper Jurassic pliosaur (Reptilia: Sauropterygia) from Westbury, Wiltshire, UK
Sassoon, J., Noè, L.F. & Benton, M.J. · Palaeontology
Estudo de um pliosaurídeo britânico contemporâneo de Pliosaurus funkei, revelando evidência direta de patologia degenerativa semelhante à artrite na articulação mandibular. Sassoon e colegas examinaram o espécime de Westbury, um indivíduo de aproximadamente 8 metros de comprimento, e identificaram erosão e deslocamento da mandíbula esquerda. Este é o primeiro caso documentado de patologia degenerativa em um réptil marinho jurássico. O achado é relevante para P. funkei porque sugere que grandes pliosaurídeos podiam atingir idade avançada suficiente para desenvolver doenças degenerativas articulares, e que a força de mordida extrema exercida sobre as articulações cobrava preço no sistema musculoesquelético. O artigo também revisa a taxonomia do gênero Pliosaurus e reforça que múltiplas espécies coexistiram no Titoniano.
A giant pliosaurid skull from the Late Jurassic of England
Benson, R.B.J., Evans, M., Smith, A.S., Sassoon, J., Moore-Faye, S., Ketchum, H.F. & Forrest, R. · PLOS ONE
Revisão taxonômica fundamental do gênero Pliosaurus, crítica para posicionar corretamente P. funkei. Benson e colegas descrevem P. kevani com base em um crânio de 2 metros da Formação Kimmeridge Clay de Dorset e nomeiam outras duas espécies, P. carpenteri e P. westburyensis, reconhecendo pelo menos cinco espécies válidas do gênero no Jurássico Superior europeu. A análise filogenética confirma a monofilia de Pliosaurus (excluindo P. andrewsi, que é transferido para outro gênero). O estudo também identifica uma tendência evolutiva de diminuição do comprimento da sínfise mandibular ao longo do Titoniano, possivelmente relacionada ao aumento da especialização para capturar presas grandes. O arcabouço taxonômico do artigo é a referência padrão usada para comparação com P. funkei, que se destaca no grupo pelo tamanho excepcional e pelos membros anteriores alongados.
Faunal turnover of marine tetrapods during the Jurassic, Cretaceous transition
Benson, R.B.J. & Druckenmiller, P.S. · Biological Reviews
Estudo em escala macroevolutiva que posiciona P. funkei no contexto da extinção dos grandes pliosaurídeos. Benson e Druckenmiller, este último coautor da descrição original de P. funkei, analisam diversidade e disparidade de todos os plesiossauros conhecidos no limite Jurássico, Cretáceo. A conclusão é que apenas três linhagens cruzaram claramente o limite, e Pliosauridae sofreu perda substancial de diversidade e de tamanho corporal. P. funkei, do final do Titoniano, é uma das últimas ocorrências conhecidas de pliosaurídeos gigantes antes do colapso. Os autores correlacionam a extinção com mudanças climáticas e oceanográficas: o Titoniano tardio apresentou clima árido, condições oligotróficas e redução da base da cadeia alimentar marinha, o que teria afetado desproporcionalmente predadores de topo como P. funkei. O estudo é referência para discutir extinção, biogeografia e paleoecologia de grandes répteis marinhos.
Functional anatomy and feeding biomechanics of a giant Upper Jurassic pliosaur (Reptilia: Sauropterygia) from Weymouth Bay, Dorset, UK
Foffa, D., Cuff, A.R., Sassoon, J., Rayfield, E.J., Mavrogordato, M.N. & Benton, M.J. · Journal of Anatomy
Estudo biomecânico de referência para compreender o modo de alimentação de P. funkei. Foffa e colegas utilizam tomografia computadorizada e análise por elementos finitos em P. kevani, espécie irmã de P. funkei, para estimar forças de mordida entre 9.600 e 48.300 Newtons dependendo da posição dos dentes. A análise pela teoria de vigas mostra que o focinho, embora poderoso, era relativamente mal otimizado contra estresses de torção e flexão comparado a crocodilos e terópodes terrestres. A implicação é importante: os pliosaurídeos não torciam nem sacudiam suas presas como crocodilos modernos fazem com hipopótamos. Em vez disso, utilizavam mordidas firmes e precisas para apreensão e secção de tecidos. Por comparação de escala, P. funkei, sendo maior que P. kevani, provavelmente exerceria forças de mordida ainda maiores, possivelmente ultrapassando as de um Tyrannosaurus rex adulto em regiões específicas da mandíbula.
Exceptionally prolonged tooth formation in elasmosaurid plesiosaurians
Kear, B.P., Larsson, D., Lindgren, J. & Kundrát, M. · PLOS ONE
Estudo de histologia dental extrapolável para Pliosaurus funkei, fornecendo contexto sobre o ritmo de formação dos grandes dentes caniniformes característicos do gênero. Kear e colegas analisam microestrutura de esmalte e dentina em plesiossauros e identificam períodos de formação dental excepcionalmente longos, com camadas que registram crescimento lento ao longo de múltiplos anos por dente. A implicação para pliosaurídeos gigantes como P. funkei, cujos dentes maiores podiam ultrapassar 20 centímetros, é que o ciclo completo de substituição dental era lento, o que sugere alta longevidade individual e estratégia conservadora de alimentação. O estudo complementa Kear et al. (2016) sobre ontogenia dental em Pliosauridae e ajuda a preencher lacunas sobre o ritmo de vida dos maiores répteis marinhos do Jurássico.
The four-flipper swimming method of plesiosaurs enabled efficient and effective locomotion
Muscutt, L.E., Dyke, G., Weymouth, G.D., Naish, D., Palmer, C. & Ganapathisubramani, B. · Proceedings of the Royal Society B
Estudo experimental de hidrodinâmica que esclarece como P. funkei se movia na água. Muscutt e colegas construíram modelos em escala de nadadeiras de plesiossauros e testaram em tanque de água o que décadas de discussão não haviam resolvido: o sistema de quatro nadadeiras proporcionava até 60 por cento mais empuxo e 40 por cento mais eficiência quando as nadadeiras anteriores e posteriores operavam em sincronia, com as posteriores aproveitando o vórtice deixado pelas anteriores. Aplicado a P. funkei, cujo membro anterior é notavelmente alongado, este achado sugere que a espécie era capaz de acelerações potentes, comparáveis às de tubarões brancos modernos. A coordenação precisa entre pares de nadadeiras também implica alto controle neuromotor, indicando provavelmente um cérebro e cerebelo relativamente desenvolvidos para um réptil marinho.
A new plesiosaurian from the Jurassic, Cretaceous transitional interval of the Slottsmøya Member (Volgian)
Roberts, A.J., Druckenmiller, P.S., Sætre, G.-P. & Hurum, J.H. · Journal of Vertebrate Paleontology
Estudo direto sobre a fauna acompanhante de Pliosaurus funkei. Roberts, Druckenmiller, Sætre e Hurum analisam novo material de Colymbosaurus svalbardensis, plesiossauro de pescoço longo e corpo robusto que viveu nos mesmos mares que P. funkei na Formação Agardhfjellet. A confirmação da validade da espécie reforça que havia diversidade considerável de plesiossauros em altas latitudes perto do limite Jurássico, Cretáceo, ou seja, que P. funkei não era o único réptil marinho do ecossistema, compartilhava o habitat com presas potenciais de variados tamanhos e morfologias. Os autores também refinam caracteres diagnósticos de Colymbosaurus, um dos gêneros que provavelmente faziam parte da dieta do grande pliosaurídeo.
Increased pliosaurid dental disparity across the Jurassic, Cretaceous transition
Zverkov, N.G., Fischer, V., Madzia, D. & Benson, R.B.J. · Palaeontology
Estudo morfométrico dental que contextualiza ecologicamente Pliosaurus funkei. Zverkov e colegas analisam dentes de pliosaurídeos ao longo do limite Jurássico, Cretáceo e identificam aumento de disparidade morfológica no Titoniano final. Dois morfotipos se distinguem: dentes robustos trihedrais, com secção transversal triangular, adaptados para mordidas potentes típicos de Pliosaurus; e dentes esguios, curvos, adaptados para piscivoria. P. funkei se enquadra no primeiro grupo e era um caçador de presas grandes como outros plesiossauros e ictiossauros, não um piscivoro especialista. A disparidade dental final do Titoniano sugere especialização ecológica crescente antes do colapso do grupo, contexto direto para entender o nicho ocupado por P. funkei em Svalbard.
Osteology and phylogeny of Late Jurassic ichthyosaurs from the Slottsmøya Member Lagerstätte (Spitsbergen, Norway)
Delsett, L.L., Roberts, A.J., Druckenmiller, P.S. & Hurum, J.H. · Acta Palaeontologica Polonica
Estudo da fauna de ictiossauros que dividia o ambiente com Pliosaurus funkei. Delsett e colegas descrevem em detalhe pelo menos três táxons de oftalmossaurídeos da Formação Agardhfjellet, documentando alta diversidade em paleolatitudes árticas do final do Jurássico. Os ictiossauros, com corpo fusiforme e caudais poderosas, eram predadores ativos de peixes e cefalópodes; os maiores eram potenciais presas de P. funkei, evidência do papel de predador de topo do grande pliosaurídeo. O estudo também reforça a importância científica de Svalbard como Lagerstätte ártica: em nenhum outro lugar do mundo existem amostras tão completas e abundantes do ecossistema boreal jurássico. Isso permite reconstruções paleoecológicas precisas que não séria possíveis com dados de outros locais.
A new plesiosaurian from the Jurassic, Cretaceous transitional interval of the Slottsmøya Member (Volgian), with insights into the cranial anatomy of cryptoclidids using computed tomography
Roberts, A.J., Druckenmiller, P.S., Cordonnier, B., Delsett, L.L. & Hurum, J.H. · PeerJ
Estudo que revela novas dimensões da fauna em que Pliosaurus funkei vivia. Roberts, Druckenmiller, Cordonnier, Delsett e Hurum descrevem Ophthalmothule cryostea, plesiossauro de pescoço longo, corpo de 5 a 5,5 metros e cabeça minúscula com olhos enormes, encontrado na mesma Formação Agardhfjellet. A preservação excepcional permitiu uso de tomografia computadorizada para reconstruir a anatomia craniana interna, gerando dados inéditos sobre neuroanatomia de plesiossauros. A presença desta e de outras espécies de pescoço longo reforça a hipótese de que P. funkei tinha ampla variedade de presas disponíveis no ecossistema, explicando seu grande porte e dominância ecológica. O nome Ophthalmothule significa olho do norte e enfatiza o habitat ártico primitivo compartilhado com P. funkei.
Historical significance and taxonomic status of Ischyrodon meriani (Pliosauridae) from the Middle Jurassic of Switzerland
Madzia, D., Sachs, S. & Klug, C. · PeerJ
Revisão taxonômica de Ischyrodon meriani, pliosaurídeo do Jurássico Médio da Suíça, que serve como comparador crucial para Pliosaurus funkei. Madzia, Sachs e Klug redescrevem o material histórico e o comparam com dentes de pliosaurídeos talassofoneos, o clado que inclui os grandes predadores marinhos como P. funkei. O estudo esclarece a sequência evolutiva dos Thalassophonea ao longo do Jurássico, mostrando que a linhagem já tinha porte grande no Bajociano e que P. funkei representa um dos últimos gigantes antes da extinção do clado. A análise reforça que a evolução do grande porte em pliosaurídeos ocorreu em múltiplos eventos independentes e que P. funkei é culminação de uma tendência iniciada 70 milhões de anos antes.
The rise of macropredatory pliosaurids near the Early, Middle Jurassic transition
Sachs, S., Madzia, D., Thuy, B. & Kear, B.P. · Scientific Reports
Artigo recente que situa Pliosaurus funkei no ápice final de uma linhagem evolutiva com 70 milhões de anos de história. Sachs, Madzia, Thuy e Kear descrevem Lorrainosaurus keileni, o mais antigo pliosaurídeo macropredador conhecido, datado do Bajociano (~171 Ma). A análise filogenética integra Pliosaurus em um cladograma abrangente de Thalassophonea, mostrando que o grande porte e a dentição robusta características de P. funkei já eram tendência estabelecida no Jurássico Médio. P. funkei, no Titoniano tardio, está próximo do topo dessa trajetória evolutiva. O estudo é também uma das poucas análises filogenéticas modernas que incluem múltiplas espécies de Pliosaurus em uma mesma análise, fornecendo árvore filogenética de referência para o gênero.
Espécimes famosos em museus
PMO 214.135 (holótipo, apelidado 'The Monster')
Museu de História Natural da Universidade de Oslo, Noruega
Holótipo que serviu de base para a descrição formal da espécie. Preserva a parte anterior das mandíbulas com dentes, várias vértebras, coracóide direito completo e membro anterior direito quase completo. Comprimento de crânio estimado entre 1,6 e 2 metros.
PMO 214.136 (espécime referido, o original 'Predator X')
Museu de História Natural da Universidade de Oslo, Noruega
Espécime referido escavado em 2008 e documentado no especial do History Channel Predator X de 2009. Inclui crânio parcial e ossos fragmentários, com comprimento de crânio estimado entre 2 e 2,5 metros, indicando indivíduo maior que o holótipo.
No cinema e na cultura popular
Pliosaurus funkei tem presença limitada na cultura pop cinematográfica, restrita principalmente ao circuito de documentários científicos. A espécie ficou mundialmente conhecida pelo apelido Predator X graças ao especial homônimo do History Channel em 2009, produzido pela Atlantic Productions, que acompanhou a escavação dos espécimes em Svalbard pela equipe de Jørn Hurum. Em 2011, a BBC incluiu o animal (ainda sob o apelido) na série documental Planet Dinosaur, em cena de caça com CGI elaborado. A espécie não aparece em nenhum blockbuster da franquia Jurassic Park ou Jurassic World, que historicamente ignora répteis marinhos em favor de dinossauros terrestres, embora o Mosassauro apareça desde Jurassic World (2015). A ausência de P. funkei em mídia popular reflete um padrão: espécies cientificamente importantes mas descritas recentemente (2012) e com localidade geográfica remota (Ártico norueguês) raramente atraem atenção de produtores americanos ou europeus maiores. A representação pública do animal depende quase totalmente de reconstituições artísticas digitais publicadas online por paleoartistas como Dmitry Bogdanov e Mario Lanzas, que traduzem os dados científicos em imagens acessíveis.
Classificação
Descoberta
Curiosidade
Pliosaurus funkei foi apelidado de Predator X pela mídia em 2009, três anos antes de receber nome científico formal em 2012. Sua mandíbula, estimada em até 2,5 metros no espécime maior, está entre as maiores de qualquer predador marinho já descoberto.
Última revisão: 24 de abril de 2026