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Asteriornis maastrichtensis
Cretáceo Onívoro

Maravilha-galinha

Asteriornis maastrichtensis

"Ave de Astéria, da formação Maastricht"

Período
Cretáceo · Maastrichtiano
Viveu
67–66.7 Ma
Comprimento
até 0.4 m
Peso estimado
0.4 kg
País de origem
Bélgica
Descrito em
2020 por Daniel Field, Juan Benito, Albert Chen, John Jagt, Daniel Ksepka, Nature, 18 mar 2020

Asteriornis maastrichtensis é a ave moderna mais antiga conhecida com fóssil cranial robusto, descrita em 2020 por Daniel Field e colaboradores em artigo na Nature. Viveu nas planícies costeiras tropicais do final do Cretáceo na Europa, há cerca de 67 milhões de anos, alguns 700 mil anos antes do impacto que extinguiu os dinossauros não-avianos. O holótipo NHMM 2013-008 foi coletado em torno de 2000 pelo paleontólogo amador Maarten van Dinther em uma pedreira próxima a Eben-Emael, no Limburgo belga, e doado ao Museu de História Natural de Maastricht. Por quase duas décadas o material permaneceu em blocos de calcário aparentemente sem importância, até que tomografias computadorizadas em 2018 revelaram um crânio quase completo escondido na rocha. A ave era pequena, com cerca de 40 centímetros e estimadas 394 gramas, e seu crânio combina características que lembram simultaneamente galinhas e patos, daí o apelido global Wonderchicken adotado pela imprensa.

A Formação Maastricht é uma sequência de calcários e margas de plataforma marinha rasa do Maastrichtiano final, com idade entre cerca de 67 e 66 milhões de anos, aflorante na fronteira entre Bélgica e Países Baixos, em torno da cidade de Maastricht. É a localidade tipo do andar Maastrichtiano da escala geológica internacional. Pedreiras como ENCI, Romontbos e Eben-Emael preservaram fauna marinha rica, incluindo o gigante mosassauro Mosasaurus hoffmannii, plesiossauros, tartarugas e amonites, junto a raros restos terrestres, como o holótipo de Asteriornis maastrichtensis. Field et al. (2024) descrevem em detalhe o contexto estratigráfico do material aviário associado à formação.

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Habitat

Asteriornis maastrichtensis viveu em uma planície costeira marinha rasa do final do Cretáceo na Europa Ocidental, em ambiente tropical a subtropical. A região correspondia a um arquipélago baixo, com costas, ilhas e plataforma carbonática, banhada pelo mar epicontinental que cobria parte da Europa no Maastrichtiano. A fauna marinha associada incluía mosasauros como Mosasaurus hoffmannii, plesiossauros e tartarugas, bem como invertebrados típicos de águas rasas como inocerâmeos e amonites do Maastrichtiano. Em terra firme baixa, Asteriornis dividia o cenário com pterossauros tardios e raros dinossauros não-aviários, em comunidades documentadas por Field et al. (2024).

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Alimentação

A dieta de Asteriornis maastrichtensis é inferida a partir da morfologia do bico curto e robusto e das proporções de membros posteriores descritas por Field et al. (2020, 2024). O bico generalista, sem especialização extrema para filtragem como em patos modernos nem para sementes duras como em galináceos, sugere onivoria oportunista, com provável consumo de pequenos invertebrados aquáticos, sementes e matéria vegetal coletada em margens e poças. A interpretação como ave de pernas longas e possível hábito vadeador é coerente com captura de presas em águas rasas, ao modo de aves litorâneas modernas.

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Comportamento e sentidos

Asteriornis era provavelmente uma ave terrestre a litorânea, ativa próxima ao mar e às margens de poças e canais, em estilo comparável ao de aves litorâneas modernas como tarambolas e maçaricos. As pernas longas relativas ao corpo, descritas em Field et al. (2024), apoiam essa hipótese. Como Galloanserae basal, é improvável que vivesse em copas de árvores, hábito raro nesse grande ramo. O comportamento social é desconhecido, mas, se for análogo aos Galloanserae viventes, é razoável inferir vida em pequenos grupos e cuidado parental ao menos breve, sem que isso possa ser comprovado pelo registro fóssil.

Fisiologia e crescimento

Asteriornis era uma ave pequena, com aproximadamente 40 centímetros de comprimento e cerca de 394 gramas estimados a partir do crânio e dos ossos de membros, conforme Field et al. (2020) e revisão em Field et al. (2024). Como qualquer ave moderna, era endotérmica, voadora ativa e dotada de penas, ainda que o material preservado não inclua impressões de plumagem. A anatomia mistura caracteres que hoje associamos a Galliformes (cabeça robusta, bico curto) e a Anseriformes (palatino), e essa generalidade morfológica é o que dá força à hipótese de que linhagens generalistas tiveram vantagem na travessia do limite K-Pg, conforme discutido por Field et al. (2018, 2020) e Larson et al. (2016).

Configuração continental

Mapa paleogeográfico do Cretáceo (~90 Ma)

Ron Blakey · CC BY 3.0 · Cretáceo, ~90 Ma

Durante o Maastrichtiano (~67–66.7 Ma), Asteriornis maastrichtensis habitava a Laramídia, a metade ocidental do que hoje é a América do Norte, separada pelo Mar Interior do Oeste (Western Interior Seaway), um mar raso que dividia o continente ao meio. Os continentes estavam em posições muito diferentes das atuais: a Índia viajava em direção à Ásia, a Antártida ainda estava conectada à Austrália, e a América do Sul era uma ilha separada.

Completude estimada 25%

O holótipo de Asteriornis maastrichtensis (NHMM 2013-008) é essencialmente um crânio quase completo preservado em quatro blocos de calcário associados, recuperado por tomografia computadorizada em 2018. Há também elementos pós-cranianos limitados, em particular partes de membros posteriores e algumas vértebras, descritos em detalhe por Field et al. (2024) na Netherlands Journal of Geosciences. Não há esqueleto pós-craniano substancial preservado, e a maior parte do conhecimento anatômico do táxon vem do crânio, da mandíbula e do quadrado.

Encontrado (3)
Inferido (3)
Esqueleto de dinossauro — theropod
Field, Benito, Werning, Chen, Kuo, Crane, Widrig, Ksepka e Jagt, 2024, Netherlands Journal of Geosciences, CC BY 4.0 CC BY 4.0

Estruturas encontradas

skulllower_jawvertebrae

Estruturas inferidas

soft_tissuecomplete_skinfeathers

15 artigos em ordem cronológica — do artigo de descrição original até pesquisas recentes.

1872

Preliminary description of Hesperornis regalis, with notices of four other new species of Cretaceous birds

Marsh, O.C. · American Journal of Science (Series 3) 3(17)

Othniel Charles Marsh publicou a descrição preliminar de Hesperornis regalis e de outras quatro aves cretáceas coletadas nos calcários do oeste dos Estados Unidos, abrindo o estudo sistemático das aves do Mesozoico. Embora trate de táxons norte-americanos não diretamente relacionados a Asteriornis, este artigo é o ponto de partida histórico do campo. Por mais de um século a paleontologia de aves cretáceas seria dominada por Hesperornis e Ichthyornis de Marsh, com pouco material craniano de Aves de coroa preservado. A descoberta de Asteriornis em 2020 finalmente forneceu o crânio que faltava para conectar essa linhagem norte-americana descrita por Marsh ao grupo das aves modernas.

Reconstrução de Hesperornis regalis por Joerim, ave mergulhadora dentada do Cretáceo norte-americano cuja descrição preliminar abriu o estudo das aves mesozoicas em 1872, antes da existência de qualquer Neornithes cranial bem caracterizado como Asteriornis.

Reconstrução de Hesperornis regalis por Joerim, ave mergulhadora dentada do Cretáceo norte-americano cuja descrição preliminar abriu o estudo das aves mesozoicas em 1872, antes da existência de qualquer Neornithes cranial bem caracterizado como Asteriornis.

Os quatro blocos de calcário do holótipo de Asteriornis maastrichtensis (NHMM 2013-008) antes da tomografia computadorizada de 2018. O contraste com a tradição craniana fragmentária de Hesperornis e Ichthyornis estabelecida por Marsh em 1872 é o que torna o achado europeu tão importante.

Os quatro blocos de calcário do holótipo de Asteriornis maastrichtensis (NHMM 2013-008) antes da tomografia computadorizada de 2018. O contraste com a tradição craniana fragmentária de Hesperornis e Ichthyornis estabelecida por Marsh em 1872 é o que torna o achado europeu tão importante.

1880

Odontornithes: A Monograph on the Extinct Toothed Birds of North America

Marsh, O.C. · Memoirs of the Peabody Museum of Yale University, Volume 1

Othniel Charles Marsh publicou a monografia Odontornithes pelo Peabody Museum, consolidando o trabalho de quase uma década sobre as aves dentadas cretáceas norte-americanas. A obra é a referência anatômica clássica que dominou a paleontologia de aves mesozoicas até o final do século XX e influenciou diretamente a forma como Hope, Clarke, Field e outros autores posteriores compararam novas descobertas. Asteriornis maastrichtensis foi situada por Field et al. (2020) em um quadro filogenético que ainda usa Ichthyornis e Hesperornis de Marsh como táxons-âncora, mostrando como a tradição inaugurada em 1880 permanece operativa. A monografia também fixou o vocabulário osteológico que ainda é aplicado à descrição de crânios fósseis de aves cretáceas.

Tarsometatarsos de Vegavis spp., aves de coroa cretáceas da Antártica. Marsh, em sua monografia Odontornithes de 1880, fixou o padrão osteológico que permitiria, mais de um século depois, comparar elementos de Vegavis e Asteriornis com Ichthyornis e Hesperornis.

Tarsometatarsos de Vegavis spp., aves de coroa cretáceas da Antártica. Marsh, em sua monografia Odontornithes de 1880, fixou o padrão osteológico que permitiria, mais de um século depois, comparar elementos de Vegavis e Asteriornis com Ichthyornis e Hesperornis.

Crânio de Asteriornis maastrichtensis em vista lateral, redesenhado a partir dos modelos tridimensionais do paper de Field et al. (2020). O nível de detalhe craniano disponível para Asteriornis supera de longe o que Marsh teve em 1880 para Ichthyornis e Hesperornis.

Crânio de Asteriornis maastrichtensis em vista lateral, redesenhado a partir dos modelos tridimensionais do paper de Field et al. (2020). O nível de detalhe craniano disponível para Asteriornis supera de longe o que Marsh teve em 1880 para Ichthyornis e Hesperornis.

1995

Explosive evolution in tertiary birds and mammals

Feduccia, A. · Science 267(5198)

Alan Feduccia publicou em Science o argumento influente da radiação explosiva pós-K-Pg, segundo o qual as aves modernas teriam se diversificado quase inteiramente depois da extinção em massa, com pouco ou nenhum registro fóssil de aves de coroa no Cretáceo. Essa hipótese dominou as discussões durante quase duas décadas e contrastou com estimativas moleculares que recuavam a origem dos clados modernos para o Cretáceo. Asteriornis maastrichtensis, descrita por Field et al. em 2020, é precisamente o tipo de fóssil cuja existência Feduccia considerava improvável, e por isso seu achado força uma revisão direta deste artigo de 1995. O paper é citação obrigatória em qualquer discussão sobre a origem temporal das aves modernas.

Crânio holótipo de Vegavis geitononesos, espécie irmã de Vegavis iaai descrita em 2025, evidência adicional de aves de coroa no Cretáceo final da Antártica. Achados desse tipo são incompatíveis com a radiação puramente terciária defendida por Feduccia em 1995.

Crânio holótipo de Vegavis geitononesos, espécie irmã de Vegavis iaai descrita em 2025, evidência adicional de aves de coroa no Cretáceo final da Antártica. Achados desse tipo são incompatíveis com a radiação puramente terciária defendida por Feduccia em 1995.

Visualização do crater Chicxulub na península de Yucatán, marca do impacto K-Pg. Feduccia (1995) usou este evento como divisor de águas, com radiação aviária quase exclusivamente posterior, hipótese contestada pelo achado de Asteriornis em 2020.

Visualização do crater Chicxulub na península de Yucatán, marca do impacto K-Pg. Feduccia (1995) usou este evento como divisor de águas, com radiação aviária quase exclusivamente posterior, hipótese contestada pelo achado de Asteriornis em 2020.

2002

The Mesozoic radiation of Neornithes

Hope, S. · Mesozoic Birds: Above the Heads of Dinosaurs (University of California Press), capítulo 15

Sylvia Hope publicou um dos capítulos mais citados do livro Mesozoic Birds, sintetizando o registro fóssil de Neornithes (aves de coroa) no Cretáceo. A autora compilou fragmentos cranianos e pós-cranianos isolados atribuídos a aves modernas, em sua maioria pequenos elementos sem articulação clara, e defendeu que a diversificação dos clados modernos já estava em curso ainda no Mesozoico, contrariando Feduccia (1995). Esse trabalho foi a referência usada por Field, Ksepka e colaboradores para situar Asteriornis maastrichtensis em 2020 dentro de uma narrativa mais ampla sobre o registro fóssil cretáceo de aves modernas. O capítulo continua sendo a porta de entrada padrão para o tema na literatura especializada.

Mandíbula do holótipo de Asteriornis maastrichtensis em múltiplas vistas, com escala de 10 milímetros. A mandíbula é exatamente o tipo de elemento isolado que Hope (2002) usava em seu inventário do Cretáceo, agora finalmente associada a um crânio quase completo de ave moderna.

Mandíbula do holótipo de Asteriornis maastrichtensis em múltiplas vistas, com escala de 10 milímetros. A mandíbula é exatamente o tipo de elemento isolado que Hope (2002) usava em seu inventário do Cretáceo, agora finalmente associada a um crânio quase completo de ave moderna.

Quadrado do holótipo de Asteriornis maastrichtensis em vistas múltiplas. Hope (2002) já mostrava que ossos isolados como quadrados eram a base do registro mesozoico de Neornithes; com Asteriornis o mesmo elemento aparece em contexto cranial completo.

Quadrado do holótipo de Asteriornis maastrichtensis em vistas múltiplas. Hope (2002) já mostrava que ossos isolados como quadrados eram a base do registro mesozoico de Neornithes; com Asteriornis o mesmo elemento aparece em contexto cranial completo.

2005

Definitive fossil evidence for the extant avian radiation in the Cretaceous

Clarke, J.A., Tambussi, C.P., Noriega, J.I., Erickson, G.M. & Ketcham, R.A. · Nature 433

Julia Clarke e colaboradores descreveram em Nature o esqueleto pós-craniano de Vegavis iaai, da Ilha Vega, na Antártica, como o primeiro registro indubitável de uma ave de coroa do Cretáceo, atribuída a Anseriformes. Antes desse paper, todas as alegações de aves modernas no Mesozoico se baseavam em fragmentos isolados ambíguos. Vegavis abriu o caminho para a aceitação plena de aves modernas pré-K-Pg e foi a referência mais importante para o impacto que Asteriornis maastrichtensis causaria em 2020. Field et al. (2020) compararam Asteriornis diretamente a Vegavis e argumentaram que o crânio belga, em conjunto com o pós-craniano antártico, fixa a presença de Galloanserae já no final do Cretáceo, alguns 700 mil anos antes do impacto.

Elementos dos membros posteriores do holótipo de Asteriornis maastrichtensis (NHMM 2013-008), com escala de 10 milímetros. A comparação direta de pernas de Vegavis e Asteriornis é central no argumento de Clarke et al. (2005) e Field et al. (2020) sobre Galloanserae cretáceos.

Elementos dos membros posteriores do holótipo de Asteriornis maastrichtensis (NHMM 2013-008), com escala de 10 milímetros. A comparação direta de pernas de Vegavis e Asteriornis é central no argumento de Clarke et al. (2005) e Field et al. (2020) sobre Galloanserae cretáceos.

Espécime de Vegavis iaai exposto no Dinosaur Expo 2019. Vegavis foi descrito por Clarke et al. (2005) como o primeiro registro indubitável de Aves de coroa no Cretáceo, abrindo o caminho conceitual para o achado de Asteriornis quinze anos depois.

Espécime de Vegavis iaai exposto no Dinosaur Expo 2019. Vegavis foi descrito por Clarke et al. (2005) como o primeiro registro indubitável de Aves de coroa no Cretáceo, abrindo o caminho conceitual para o achado de Asteriornis quinze anos depois.

2011

Mass extinction of birds at the Cretaceous-Paleogene (K-Pg) boundary

Longrich, N.R., Tokaryk, T. & Field, D.J. · Proceedings of the National Academy of Sciences 108(37)

Nicholas Longrich, Tim Tokaryk e Daniel Field analisaram quantitativamente fragmentos isolados de aves do Maastrichtiano da Formação Hell Creek e demonstraram que houve extinção em massa abrupta de aves no limite Cretáceo-Paleogeno, com perda majoritária da diversidade aviária. O paper é uma das referências centrais para entender o gargalo evolutivo que apenas algumas linhagens de aves de coroa atravessaram, entre elas a que Asteriornis representa. Field et al. (2020) usaram diretamente este trabalho para argumentar que a sobrevivência da linhagem que originou Galloanserae foi excepcional. O autor sênior do artigo de 2011 é o mesmo Daniel Field que descreveu Asteriornis em 2020, o que mostra a continuidade direta da pesquisa.

Modelo digital (em baixo) e impressão 3D (em cima) do crânio de Asteriornis maastrichtensis a partir de tomografia computadorizada, escala 10 cm. A linhagem que sobreviveu ao gargalo K-Pg analisado por Longrich, Tokaryk e Field (2011) é exatamente a representada por este crânio.

Modelo digital (em baixo) e impressão 3D (em cima) do crânio de Asteriornis maastrichtensis a partir de tomografia computadorizada, escala 10 cm. A linhagem que sobreviveu ao gargalo K-Pg analisado por Longrich, Tokaryk e Field (2011) é exatamente a representada por este crânio.

Reconstrução esqueletal de Mosasaurus hoffmannii por SaltieCroc, predador marinho que coexistiu com Asteriornis no Maastrichtiano europeu. Longrich, Tokaryk e Field (2011) discutem a extinção em massa de aves no exato horizonte temporal em que Mosasaurus desapareceu.

Reconstrução esqueletal de Mosasaurus hoffmannii por SaltieCroc, predador marinho que coexistiu com Asteriornis no Maastrichtiano europeu. Longrich, Tokaryk e Field (2011) discutem a extinção em massa de aves no exato horizonte temporal em que Mosasaurus desapareceu.

2014

The origins of crown group birds: molecules, fossils, and beyond

Mayr, G. · Zoologica Scripta 43(5), capítulo em livro também publicado

Gerald Mayr publicou uma revisão crítica sobre a origem das aves de coroa, integrando datações moleculares e o registro fóssil cretáceo então conhecido, em sua maioria fragmentos isolados ambíguos. Mayr argumentou que, na ausência de fósseis cranianos completos, era difícil distinguir verdadeiros Neornithes do Cretáceo de stem-Aves derivadas, e pediu cautela na aceitação de relatos como o de Vegavis. Asteriornis maastrichtensis, descrita seis anos depois por Field et al., é o tipo de fóssil que Mayr explicitamente pedia para resolver o impasse, com crânio quase completo que permite atribuição confiante a Galloanserae basal. O artigo é referência obrigatória ao se discutir os critérios de evidência para aves modernas no Mesozoico.

Reconstituição de Brodavis mongoliensis, ave aquática mesozoica conhecida apenas por fragmentos. Mayr (2014) usou casos como o de Brodavis para argumentar que o registro cretáceo de Neornithes carecia de elementos articulados de qualidade, lacuna que Asteriornis resolveu seis anos depois.

Reconstituição de Brodavis mongoliensis, ave aquática mesozoica conhecida apenas por fragmentos. Mayr (2014) usou casos como o de Brodavis para argumentar que o registro cretáceo de Neornithes carecia de elementos articulados de qualidade, lacuna que Asteriornis resolveu seis anos depois.

Comparação esqueletal de Asteriornis e Janavis com proporções atualizadas em Field et al. (2024), sugerindo Asteriornis como ave de pernas longas e ecologia possivelmente vadeadora. Comparações desse tipo eram impossíveis com o material disponível quando Mayr publicou em 2014.

Comparação esqueletal de Asteriornis e Janavis com proporções atualizadas em Field et al. (2024), sugerindo Asteriornis como ave de pernas longas e ecologia possivelmente vadeadora. Comparações desse tipo eram impossíveis com o material disponível quando Mayr publicou em 2014.

2015

Avian diversification patterns across the K-Pg boundary: Influence of calibrations, datasets, and model misspecification

Ksepka, D.T. & Phillips, M.J. · Annals of the Missouri Botanical Garden 100(4)

Daniel Ksepka e Matthew Phillips reanalisaram datações moleculares para a divergência das aves de coroa, com calibrações fósseis revistas, e discutiram em detalhe o efeito do limite K-Pg sobre a diversificação aviária. Os autores recuperaram cenários compatíveis tanto com origem cretácea como com forte radiação no Paleogeno, dependendo das calibrações usadas. Asteriornis maastrichtensis, descrita cinco anos depois com Ksepka como coautor, fornece uma calibração fóssil dura para a divisão Galloanserae no final do Cretáceo, exatamente o tipo de dado discutido neste paper. O artigo é referência metodológica direta para a estimativa de tempos de divergência usando o registro de Asteriornis.

Seção histológica do fêmur do holótipo de Asteriornis maastrichtensis (NMMH 2013-008), com lamelas circunferenciais internas e externas, ósteons primários e transição para osso de fibras paralelas. Esses dados ontogenéticos ancoram calibrações como as discutidas por Ksepka e Phillips (2015).

Seção histológica do fêmur do holótipo de Asteriornis maastrichtensis (NMMH 2013-008), com lamelas circunferenciais internas e externas, ósteons primários e transição para osso de fibras paralelas. Esses dados ontogenéticos ancoram calibrações como as discutidas por Ksepka e Phillips (2015).

Cladograma simplificado mostrando a posição filogenética de Vegavis iaai dentro de Anseriformes. Calibrações fósseis como Vegavis e Asteriornis são exatamente o tipo de dado examinado por Ksepka e Phillips (2015) ao testar tempos de divergência das aves de coroa.

Cladograma simplificado mostrando a posição filogenética de Vegavis iaai dentro de Anseriformes. Calibrações fósseis como Vegavis e Asteriornis são exatamente o tipo de dado examinado por Ksepka e Phillips (2015) ao testar tempos de divergência das aves de coroa.

2015

A comprehensive phylogeny of birds (Aves) using targeted next-generation DNA sequencing

Prum, R.O., Berv, J.S., Dornburg, A., Field, D.J., Townsend, J.P., Lemmon, E.M. & Lemmon, A.R. · Nature 526

Richard Prum e colaboradores, incluindo Daniel Field, publicaram em Nature a filogenia genômica mais influente das aves modernas, baseada em centenas de loci nucleares e mais de 198 espécies. As estimativas de divergência situaram a maioria das ordens modernas no Cretáceo final, com Galloanserae se dividindo de Neoaves há cerca de 88 milhões de anos. Asteriornis maastrichtensis, descrita cinco anos depois pelo mesmo Field, é um dos primeiros fósseis cranianos a ancorar empiricamente esses tempos profundos de divergência. O artigo de 2015 é o pano de fundo molecular contra o qual o achado de 2020 ganha significado: Asteriornis confirma, com osso, o que o DNA já indicava com base estatística.

Cladograma alternativo mostrando posição de Vegavis dentro de Anseriformes, refletindo a estrutura genômica usada como pano de fundo por Prum et al. (2015). Asteriornis maastrichtensis foi posteriormente situada por Field et al. em ramo paralelo a este, dentro de Galloanserae.

Cladograma alternativo mostrando posição de Vegavis dentro de Anseriformes, refletindo a estrutura genômica usada como pano de fundo por Prum et al. (2015). Asteriornis maastrichtensis foi posteriormente situada por Field et al. em ramo paralelo a este, dentro de Galloanserae.

Reconstituição de Vegavis iaai por El fosilmaníaco, ave aquática do Maastrichtiano da Antártica. As datas moleculares de Prum et al. (2015) previam Galloanserae cretáceos como Vegavis e, posteriormente confirmado, Asteriornis.

Reconstituição de Vegavis iaai por El fosilmaníaco, ave aquática do Maastrichtiano da Antártica. As datas moleculares de Prum et al. (2015) previam Galloanserae cretáceos como Vegavis e, posteriormente confirmado, Asteriornis.

2018

Early evolution of modern birds structured by global forest collapse at the end-Cretaceous mass extinction

Field, D.J., Bercovici, A., Berv, J.S., Dunn, R., Fastovsky, D.E., Lyson, T.R., Vajda, V. & Gauthier, J.A. · Current Biology 28(11)

Daniel Field e colaboradores demonstraram, com base em palinologia e análise paleobotânica, que o limite Cretáceo-Paleogeno foi marcado por colapso global das florestas, com substituição por uma ecologia dominada por samambaias por algumas dezenas de milhares de anos. O artigo argumentou que essa devastação favoreceu a sobrevivência de linhagens de aves de hábitos terrestres ou litorâneos, em detrimento de aves arborícolas que dependiam de copas. Asteriornis maastrichtensis, descrita por Field dois anos depois, é precisamente uma ave de provável hábito costeiro vadeador, que se ajusta ao perfil de sobrevivente esperado por este modelo. O paper é a moldura ecológica explícita usada para interpretar Asteriornis em 2020.

Impressão artística do impacto de Chicxulub no final do Cretáceo. Field et al. (2018) usam o evento Chicxulub como gatilho do colapso florestal global que estruturou a sobrevivência diferencial das aves; Asteriornis representa exatamente o perfil ecológico que sobreviveu à catástrofe.

Impressão artística do impacto de Chicxulub no final do Cretáceo. Field et al. (2018) usam o evento Chicxulub como gatilho do colapso florestal global que estruturou a sobrevivência diferencial das aves; Asteriornis representa exatamente o perfil ecológico que sobreviveu à catástrofe.

Janavis finalidens em ambiente litorâneo do Maastrichtiano europeu, ilustração de Phillip Krzeminski. A presença de Janavis e Asteriornis no mesmo ambiente reforça que aves do final do Cretáceo já exploravam intensivamente os litorais propostos por Field et al. (2018) como zonas-refúgio.

Janavis finalidens em ambiente litorâneo do Maastrichtiano europeu, ilustração de Phillip Krzeminski. A presença de Janavis e Asteriornis no mesmo ambiente reforça que aves do final do Cretáceo já exploravam intensivamente os litorais propostos por Field et al. (2018) como zonas-refúgio.

2020

Late Cretaceous neornithine from Europe illuminates the origins of crown birds

Field, D.J., Benito, J., Chen, A., Jagt, J.W.M. & Ksepka, D.T. · Nature 579

Daniel Field, Juan Benito, Albert Chen, John Jagt e Daniel Ksepka publicaram em Nature, em 18 de março de 2020, a descrição original de Asteriornis maastrichtensis. O holótipo NHMM 2013-008 vem de uma pedreira no Limburgo belga, próxima a Eben-Emael, e foi coletado por volta de 2000 pelo paleontólogo amador Maarten van Dinther, que doou os blocos ao Museu de História Natural de Maastricht. Tomografias de 2018 revelaram um crânio quase completo escondido em quatro blocos de calcário aparentemente comuns. Os autores nomeiam o novo gênero em homenagem à titãnide Astéria, mãe da deusa-codorna Lêto, e descrevem características que misturam Galliformes (galinhas) e Anseriformes (patos). Posicionam Asteriornis como o representante mais antigo de Galloanserae, com idade de cerca de 67 Ma. O paper estabelece que aves modernas já existiam antes do impacto K-Pg.

Reconstituição em vida do Wonderchicken Asteriornis maastrichtensis, baseada na anatomia descrita por Field et al. (2020) em seu paper original na Nature. Esta foi a imagem mais reproduzida na imprensa global em março de 2020.

Reconstituição em vida do Wonderchicken Asteriornis maastrichtensis, baseada na anatomia descrita por Field et al. (2020) em seu paper original na Nature. Esta foi a imagem mais reproduzida na imprensa global em março de 2020.

Asteriornis maastrichtensis em sua praia tropical do Maastrichtiano europeu, paleoarte de Phillip Krzeminski. A cena retrata o cenário ecológico apresentado por Field et al. (2020) na descrição original.

Asteriornis maastrichtensis em sua praia tropical do Maastrichtiano europeu, paleoarte de Phillip Krzeminski. A cena retrata o cenário ecológico apresentado por Field et al. (2020) na descrição original.

2022

Cretaceous ornithurine supports a neognathous crown bird ancestor

Benito, J., Kuo, P.-C., Widrig, K.E., Jagt, J.W.M. & Field, D.J. · Nature 612

Juan Benito e colaboradores, incluindo Daniel Field, descreveram em Nature Janavis finalidens, ave do Cretáceo final da Formação Maastricht, próxima do mesmo lote estratigráfico de Asteriornis. A análise do palato de Janavis mostrou que aves stem-Aves derivadas já apresentavam configuração neognata, contrariando a hipótese clássica de que paladar neognato seria sinapomorfia exclusiva de Neognathae modernos. O paper reorganiza a interpretação anatômica do crânio de Asteriornis maastrichtensis, deslocando alguns caracteres antes vistos como exclusivos de aves de coroa para a base de Ornithurae. É o trabalho de referência para entender como Asteriornis se compara, em detalhes cranianos, com formas próximas como Janavis e Ichthyornis no mesmo sistema deposicional.

Crânio e pescoço fossilizados de Ichthyornis dispar, referência anatômica direta para o paper de Benito et al. (2022) em sua análise comparativa do palato de Janavis e da relação com aves de coroa como Asteriornis.

Crânio e pescoço fossilizados de Ichthyornis dispar, referência anatômica direta para o paper de Benito et al. (2022) em sua análise comparativa do palato de Janavis e da relação com aves de coroa como Asteriornis.

Holótipos de Asteriornis e Janavis em matriz calcária, antes da preparação. O paper de Benito et al. (2022) tira proveito justamente da coassociação geológica para comparar palatos cretáceos.

Holótipos de Asteriornis e Janavis em matriz calcária, antes da preparação. O paper de Benito et al. (2022) tira proveito justamente da coassociação geológica para comparar palatos cretáceos.

2002

Mesozoic Birds: Above the Heads of Dinosaurs

Chiappe, L.M. & Witmer, L.M. (eds.) · University of California Press

Luis Chiappe e Lawrence Witmer organizaram o volume Mesozoic Birds: Above the Heads of Dinosaurs, síntese seminal e ainda muito citada sobre aves do Mesozoico. O livro reúne capítulos sobre Archaeopteryx, Enantiornithes, Ornithurae basais, Hesperornithiformes, Ichthyornithes e o registro fragmentário de Neornithes cretáceos, incluindo o capítulo de Sylvia Hope. É o pano de fundo enciclopédico contra o qual se entende o impacto de Asteriornis maastrichtensis em 2020. Antes deste volume, o conhecimento sobre aves cretáceas estava espalhado em dezenas de artigos. Após este livro, qualquer descoberta nova, incluindo Asteriornis, é avaliada no quadro estabelecido em 2002.

Mandíbulas de aves cretáceas da Antártica (Vegavis e afins). Volumes como Mesozoic Birds (Chiappe e Witmer, 2002) compilaram esse tipo de material; Asteriornis veio em 2020 trazer um crânio quase completo a um campo até então dominado por elementos isolados.

Mandíbulas de aves cretáceas da Antártica (Vegavis e afins). Volumes como Mesozoic Birds (Chiappe e Witmer, 2002) compilaram esse tipo de material; Asteriornis veio em 2020 trazer um crânio quase completo a um campo até então dominado por elementos isolados.

Fêmures de aves cretáceas da Antártica, similares ao tipo de material isolado catalogado em Mesozoic Birds (Chiappe e Witmer, 2002). Asteriornis fornece, pela primeira vez, fêmur associado a crânio em um Neornithes cretáceo bem datado.

Fêmures de aves cretáceas da Antártica, similares ao tipo de material isolado catalogado em Mesozoic Birds (Chiappe e Witmer, 2002). Asteriornis fornece, pela primeira vez, fêmur associado a crânio em um Neornithes cretáceo bem datado.

2016

Dental disparity and ecological stability in bird-like dinosaurs prior to the end-Cretaceous mass extinction

Larson, D.W., Brown, C.M. & Evans, D.C. · Current Biology 26(10)

Derek Larson, Caleb Brown e David Evans analisaram a disparidade dentária de terópodes maniraptoranos não-aviários e aves cretáceas próximas ao limite K-Pg, mostrando que linhagens com bicos sem dentes mantiveram estabilidade ecológica antes da extinção, enquanto linhagens dentadas estavam em declínio. O paper sugere que a redução dos dentes e a substituição por bicos teria sido vantagem evolutiva crítica para sobreviver ao impacto. Asteriornis maastrichtensis, com bico já bem definido e morfologia generalista entre Galliformes e Anseriformes, é exatamente o tipo de táxon para o qual Larson et al. (2016) previam vantagem ecológica. Field et al. (2020) citam diretamente este artigo na discussão sobre o perfil de aves sobreviventes.

Comparação de tamanho de dois espécimes de Ichthyornis dispar (YPM 1742 azul, YPM 1450 verde) com silhueta humana, por Matthew Martyniuk. Larson et al. (2016) mostram que linhagens dentadas como Ichthyornis estavam em declínio antes do K-Pg, em contraste com aves desdentadas como Asteriornis.

Comparação de tamanho de dois espécimes de Ichthyornis dispar (YPM 1742 azul, YPM 1450 verde) com silhueta humana, por Matthew Martyniuk. Larson et al. (2016) mostram que linhagens dentadas como Ichthyornis estavam em declínio antes do K-Pg, em contraste com aves desdentadas como Asteriornis.

Reconstituição de Ichthyornis dispar, ave dentada cretácea. Larson et al. (2016) sugerem que linhagens dentadas como Ichthyornis estavam em declínio antes do K-Pg, enquanto linhagens com bicos como a representada por Asteriornis se mantiveram.

Reconstituição de Ichthyornis dispar, ave dentada cretácea. Larson et al. (2016) sugerem que linhagens dentadas como Ichthyornis estavam em declínio antes do K-Pg, enquanto linhagens com bicos como a representada por Asteriornis se mantiveram.

2024

Remarkable insights into modern bird origins from the Maastrichtian type area, northeast Belgium, southeast Netherlands

Field, D.J., Benito, J., Werning, S., Chen, A., Kuo, P.-C., Crane, A., Widrig, K.E., Ksepka, D.T. & Jagt, J.W.M. · Netherlands Journal of Geosciences 103

Daniel Field, Juan Benito, Sarah Werning e colaboradores publicaram em 2024, na Netherlands Journal of Geosciences, a reanálise mais detalhada já feita do holótipo de Asteriornis maastrichtensis e do material associado de Janavis finalidens. O paper inclui novas tomografias, histologia óssea e revisão das proporções esqueletais, com a conclusão de que Asteriornis era uma ave de pernas longas, possivelmente vadeadora, em ambiente costeiro tropical. A histologia do fêmur indica que o holótipo provavelmente havia atingido maturidade esqueletal. Este artigo é a referência atual mais completa sobre a anatomia, a paleobiologia e o contexto estratigráfico de Asteriornis, e fornece quase todas as imagens de domínio público disponíveis sobre o táxon.

Diagrama filogenético de Ornithurae publicado por Field et al. (2024), com Janavis finalidens como táxon irmão de Ichthyornis dentro de Ichthyornithes e Asteriornis representando Neornithes. É a topologia central deste paper de revisão.

Diagrama filogenético de Ornithurae publicado por Field et al. (2024), com Janavis finalidens como táxon irmão de Ichthyornis dentro de Ichthyornithes e Asteriornis representando Neornithes. É a topologia central deste paper de revisão.

Posição do holótipo de Asteriornis na matriz calcária (esquerda) e em modelo digital após tomografia (direita), conforme Field et al. (2024). A figura sintetiza a transição entre o bloco aparentemente comum doado em 2000 e o crânio cretáceo de aves modernas hoje conhecido.

Posição do holótipo de Asteriornis na matriz calcária (esquerda) e em modelo digital após tomografia (direita), conforme Field et al. (2024). A figura sintetiza a transição entre o bloco aparentemente comum doado em 2000 e o crânio cretáceo de aves modernas hoje conhecido.

NHMM 2013-008 (holótipo) — Maastricht Natural History Museum, Maastricht, Países Baixos

Field et al. 2024, Netherlands Journal of Geosciences, CC BY 4.0

NHMM 2013-008 (holótipo)

Maastricht Natural History Museum, Maastricht, Países Baixos

Completude: ~25%, crânio quase completo e elementos pós-cranianos limitados
Encontrado em: 2000
Por: Maarten van Dinther

Holótipo de Asteriornis maastrichtensis, preservado em quatro blocos de calcário associados. Permaneceu sem identificação até 2018, quando tomografias revelaram um crânio quase completo. Descrito em Field et al. (2020) e reanalisado em detalhe em Field et al. (2024).

Material referido associado (membros posteriores e mandíbula) — Maastricht Natural History Museum, Maastricht, Países Baixos

Field et al. 2024, Netherlands Journal of Geosciences, CC BY 4.0

Material referido associado (membros posteriores e mandíbula)

Maastricht Natural History Museum, Maastricht, Países Baixos

Completude: Elementos isolados do mesmo nível estratigráfico
Encontrado em: 2000
Por: Maarten van Dinther

Conjunto de elementos pós-cranianos e mandibulares associados ao holótipo, descritos por Field et al. (2024). Os ossos da perna sustentam a interpretação de Asteriornis como ave de pernas longas com ecologia possivelmente vadeadora, distinta da maioria dos Galloanserae modernos.

Asteriornis maastrichtensis foi descrita pela primeira vez em 18 de março de 2020, em meio ao início da pandemia da COVID-19, e ainda assim conseguiu virar manchete global. A combinação do crânio quase completo, do apelido Wonderchicken e da narrativa sobre uma ave moderna sobrevivendo ao impacto que matou os dinossauros foi irresistível para a imprensa científica. BBC, The New York Times, National Geographic, Nature News e veículos brasileiros como Folha de S. Paulo e Estadão noticiaram a descoberta com destaque, e o termo Wonderchicken passou a aparecer em livros didáticos e material educativo. A presença do táxon em produções audiovisuais é, no entanto, ainda limitada. Espécie descrita em 2020, presença em mídia ainda limitada, sobretudo em documentários técnicos curtos sobre origem das aves modernas. Não há, até abril de 2026, registro de aparição em séries blockbuster como Prehistoric Planet ou em filmes de grande público.

2020 📹 When Birds Survived an Apocalypse (PBS Eons) — Equipe PBS Eons Wikipedia →
2020 📹 Nature News explainer video on Asteriornis — Equipe Nature News Wikipedia →
2020 📹 Smithsonian Channel Wonderchicken segment — Equipe Smithsonian Channel Wikipedia →
Dinosauria
Saurischia
Theropoda
Coelurosauria
Maniraptora
Avialae
Aves
Galloanserae
Primeiro fóssil
2000
Descobridor
Maarten van Dinther (coletor amador, doou pedaços ao Maastricht Natural History Museum)
Descrição formal
2020
Descrito por
Daniel Field, Juan Benito, Albert Chen, John Jagt, Daniel Ksepka, Nature, 18 mar 2020
Formação
Membro Maastricht (Formação Maastricht), final do Cretáceo
Região
Limburgo
País
Bélgica
Marsh, O.C. (1872) — American Journal of Science (Series 3) 3(17)

Curiosidade

O crânio de Asteriornis maastrichtensis tem características de bico simultaneamente de galinha (cabeça robusta, bico curto) e de pato (palatino), por isso a imprensa global o apelidou de Wonderchicken, em português Maravilha-galinha. É o ovo de páscoa perfeito para a história das aves: prova com osso que aves de coroa, isto é, aves modernas, já existiam antes do meteoro do K-Pg, alguns 700 mil anos antes da extinção dos dinossauros não-aviários. E o material ficou guardado por quase duas décadas em um bloco de pedra aparentemente sem importância, num museu provincial, até que em 2018 uma tomografia computadorizada revelou o crânio escondido na rocha.

Última revisão: 25 de abril de 2026

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