Apatossauro
Apatosaurus ajax
"Lagarto enganoso (Ajax, herói da mitologia grega)"
Sobre esta espécie
Apatosaurus ajax é o táxon-tipo do gênero Apatosaurus, descrito por Othniel Charles Marsh em 1877 a partir de ossos descobertos em Morrison, Colorado. Um dos maiores diplodocídeos conhecidos, atingia 21 a 22 metros de comprimento e 16 a 22 toneladas. Seu pescoço era notavelmente mais robusto e espesso que o de seus parentes Diplodocus e Brontosaurus, com costelas cervicais ventrolateralmente deslocadas. A espécie ficou no centro de uma das maiores confusões taxonômicas da paleontologia: o nome Brontosaurus foi considerado seu sinônimo por 112 anos, até que Tschopp, Mateus e Benson (2015) demonstraram que Brontosaurus constitui um gênero distinto e válido.
Formação geológica e ambiente
A Formação Morrison é uma das sequências sedimentares mais importantes para a paleontologia de dinossauros no mundo. Depositada entre 156 e 147 milhões de anos atrás no Jurássico Superior (idades Kimmeridgiana a Titoniana), cobre grande parte do oeste dos Estados Unidos. O ambiente era uma ampla planície aluvial semiarida com estações secas e úmidas pronunciadas, cruzada por rios sazonais e pontilhada de lagos rasos. Fosseis de Apatosaurus ajax são exclusivos do Membro Brushy Basin Superior, datado de 152 a 151 Ma, nos estados de Colorado, Wyoming e Oklahoma. A formação preservou a maior diversidade de sauropodes já conhecida em um único ecossistema: Diplodocus, Brachiosaurus, Camarasaurus e o próprio Apatosaurus.
Galeria de imagens
Esqueleto montado de Apatosaurus ajax (NSMT-PV 20375) no Museu Nacional de Natureza e Ciência de Tóquio, Japão. Este é o espécime mais completo referível à espécie-tipo e o principal monte de A. ajax atualmente em exibição no mundo.
Momotarou2012 — CC BY-SA 3.0
Ecologia e comportamento
Habitat
Apatosaurus ajax habitava as planícies aluviais e florestas abertas da Formação Morrison, um ambiente semiarido com estações úmidas e secas distintas no que hoje é o oeste dos Estados Unidos. O ecossistema era dominado por samambaias, cicas, ginkgos, cavalinhas e coníferas como Brachyphyllum. Rios sazonais, lagoas rasas e planícies de inundação concentravam a vegetação mais densa. A. ajax compartilhava o habitat com Diplodocus, Brachiosaurus, Camarasaurus, Stegosaurus e os terópodes predadores Allosaurus e Ceratosaurus. Fosseis de A. ajax são exclusivamente do Membro Brushy Basin Superior, datado de 152 a 151 Ma.
Alimentação
Herbívoro estrito, Apatosaurus ajax alimentava-se de vegetação de baixa a média altura utilizando seus dentes simples em forma de lápis concentrados na parte frontal de um focinho largo. Análises de microwear dentário em apatossaurinos (Whitlock 2011) indicam pastejo não seletivo em ampla área ao nível do solo, varrendo samambaia, cavalinhas e folhagem baixa de coníferas com movimentos laterais da cabeça. O pescoço excepcionalmente robusto de A. ajax, com costelas cervicais ventrolateralmente deslocadas, pode ter permitido torque diferente dos pescoços mais gráceis de Diplodocus, potencialmente acessando vegetação mais resistente ou densa. Estimativas de consumo para sauropodes desse porte indicam centenas de quilogramas de vegetação por dia.
Comportamento e sentidos
As evidências de comportamento de Apatosaurus ajax são inferidas por morfologia funcional e comparação com parentes. O sítio de rastros do Purgatoire River (Colorado), um dos maiores do mundo, preserva trilhas paralelas de Apatosaurus sugerindo movimento em grupos, potencialmente rebanhos. O pescoço excepcionalmente robusto, com costelas cervicais diferenciadas, foi interpretado por Taylor et al. (2015) como possível adaptação para combate intraespecífico pescoço a pescoço entre machos, similar ao comportamento de 'necking' das girafas. A hipótese do 'chicote supersônico' de Myhrvold e Currie (1997), baseada em modelagem computacional da cauda de Apatosaurus, sugere que a cauda longa e afilada podia produzir sons sônicos para comunicação ou defesa.
Fisiologia e crescimento
Apatosaurus ajax apresentava o esqueleto axial altamente pneumatizado típico dos sauropodes: vértebras com cavidades internas preenchidas por divertículos de sacos aéreos similares ao sistema aviário, reduzindo o peso sem sacrificar a resistência estrutural. Wedel e Taylor (2013) descreveram pneumaticidade também nas vértebras caudais, indicando extensão muito maior do sistema respiratório do que previamente imaginado. A histologia óssea (Curry 1999) indica crescimento rápido e sustentado na juventude, sugerindo metabolismo elevado, possivelmente mesotérmico ou endotérmico. A gigantotermia: o volume corporal colossal retinha calor metabólico mesmo sem endotermia plena. Estima-se que o animal atingia tamanho adulto em aproximadamente 10 anos.
Paleogeografia
Configuração continental
Ron Blakey · CC BY 3.0 · Jurássico, ~90 Ma
Durante o Kimmeridgiano–Titoniano (~152–151 Ma), Apatosaurus ajax habitava a Pangeia em processo de fragmentação. A América do Norte e a Europa ainda estavam próximas, e o Atlântico Norte mal começava a se abrir. O clima era quente e úmido em escala global, sem calotas polares.
Inventário de Ossos
O holótipo YPM 1860, coletado em Morrison (Colorado) em 1877, é um esqueleto juvenil incompleto que inclui vértebras cervicais, dorsais e caudais, além de ossos do membro posterior. Nenhum crânio foi encontrado associado ao holótipo; a morfologia craniana do gênero só foi estabelecida em 1975 por McIntosh e Berman, que demonstraram ser semelhante à de Diplodocus. Um espécime mais completo, NSMT-PV 20375, exibido no Museu Nacional de Natureza e Ciência de Tóquio, forneceu informações adicionais sobre a espécie. O espécime BYU 17096 ('Einstein') preserva o crânio mais completo referido ao gênero.
Estruturas encontradas
Estruturas inferidas
Literatura Científica
15 artigos em ordem cronológica — do artigo de descrição original até pesquisas recentes.
Notice of new dinosaurian reptiles from the Jurassic formation
Marsh, O.C. · American Journal of Science, Series 3
Artigo fundador em que Othniel Charles Marsh nomeia Apatosaurus ajax com base no espécime YPM 1860, coletado por Arthur Lakes próximo a Morrison, Colorado. A descrição, publicada no American Journal of Science em 1877, estabelece o gênero com base em vértebras cervicais e dorsais e ossos dos membros posteriores. Marsh distingue o novo animal pelos tamanho colossal e pela forma das vértebras. O nome Apatosaurus, do grego 'lagarto enganoso', foi escolhido porque as costelas caudais se assemelhavam às de lagartos, mas diferiam o suficiente para inicialmente confundir os pesquisadores. O epíteto específico ajax homenageia o herói grego da mitologia. Este artigo inaugura a história taxonômica de um dos gêneros de dinossauros mais famosos, embora a espécie permaneça pouco conhecida em comparação com Apatosaurus louisae.
Principal Characters of American Jurassic Dinosaurs, Part II
Marsh, O.C. · American Journal of Science
Continuação das descrições anatômicas de Marsh sobre os dinossauros jurássicos da América do Norte, com foco especial em Apatosaurus. Neste artigo, Marsh apresenta ilustrações detalhadas do sacro e do escápulocoracoide de Apatosaurus ajax, fornecendo as primeiras representações visuais do animal para a comunidade científica. As figuras, desenhadas em um décimo do tamanho natural, tornam-se referência primária para estudos posteriores da cintura pélvica e peitoral dos diplodocídeos. A publicação ocorre dois anos após o artigo fundador e consolida a posição de A. ajax como um dos sauropodes mais robustos conhecidos da Formação Morrison, distinguindo-se dos demais táxons da mesma formação pela morfologia vertebral e pelas proporções dos membros.
Structure and Relationships of Opisthocoelian Dinosaurs. Part I, Apatosaurus Marsh
Riggs, E.S. · Publications of the Field Columbian Museum, Geological Series
Paper decisivo em que Elmer Riggs, do Field Museum de Chicago, compara Apatosaurus ajax com Brontosaurus excelsus de Como Bluff (Wyoming) e conclui que as características usadas por Marsh para separar os dois gêneros, principalmente proporções das vértebras e dos membros, refletem diferenças ontogenéticas: o holótipo de Apatosaurus ajax (YPM 1860) seria um indivíduo juvenil. Pelo princípio de prioridade nomenclatural, Apatosaurus (1877) prevalece sobre Brontosaurus (1879), e Riggs cria a combinação Apatosaurus excelsus. A sinonimização, publicada em periódico relativamente obscuro, levou décadas para ser aceita pelo público. O nome Brontosaurus, já gravado no imaginário popular desde os anos 1880, sobreviveu como sinônimo informal por 112 anos até a revalidação de 2015.
Osteology of Apatosaurus, with special reference to specimens in the Carnegie Museum
Gilmore, C.W. · Memoirs of the Carnegie Museum
Monografia osteológica abrangente de Charles Gilmore que descreve sistematicamente cada elemento esquelético de Apatosaurus, com referência especial aos espécimes do Carnegie Museum de Pittsburgh. Uma das contribuições mais importantes do trabalho é a correção das reconstituições anteriores dos membros anteriores: Gilmore demonstra que o rádio e a ulna permaneciam paralelos em vida, nunca se cruzando como mostravam as reconstituições da época. O trabalho estabelece o referencial anatômico clássico para o gênero e é citado como base para praticamente todos os estudos osteológicos subsequentes. As 125 páginas de descrição detalhada, acompanhadas de pranchas ilustradas, tornam o paper o equivalente vitoriano da monografia de Brochu para o T. rex.
Description of the Palate and Lower Jaw of the Sauropod Dinosaur Diplodocus (Reptilia: Saurischia) with Remarks on the Nature of the Skull of Apatosaurus
McIntosh, J.S. & Berman, D.S. · Journal of Paleontology
Estudo revolucionário que corrige um erro de 70 anos na reconstituição de Apatosaurus (e por extensão de Brontosaurus). Desde 1905, os montes museológicos exibiam crânios do tipo Camarasaurus porque nenhum crânio havia sido encontrado diretamente associado a esqueletos pós-cranianos de Apatosaurus. McIntosh e Berman analisam os espécimes de crânio disponíveis e demonstram que a morfologia craniana correta é a diplodocídea: crânio estreito, baixo, com dentes simples em forma de lápis concentrados na parte frontal. Um crânio encontrado em 1909 com o espécime CM 3018 do Carnegie Museum, que havia permanecido sem estudo por décadas, confirma a conclusão. A correção foi gradualmente adotada pelos museus a partir de 1979.
Ontogenetic histology of Apatosaurus (Dinosauria: Sauropoda): new insights on growth rates and longevity
Curry, K.A. · Journal of Vertebrate Paleontology
Estudo histológico clássico de Kristina Curry que analisa a microestrutura óssea de uma série ontogenética de rádios, ulnas e escápulas de Apatosaurus. O exame de linhas de crescimento (LAGs) e tecido ósseo fibrolamelar revela três fases osteogênicas distintas: crescimento rápido e sustentado durante a maior parte da ontogenia, desaceleração gradual ao se aproximar do tamanho adulto, e eventual cessação. A estimativa de cerca de 10 anos para sub-adultos grandes refuta a hipótese de que crescimento lento e indeterminado seria necessário para sauropodes atingirem tamanhos extremos. O trabalho inaugurou a aplicação sistemática de histologia óssea a sauropodes e estabeleceu o paradigma de crescimento rápido para o grupo, comparável ao das aves modernas.
Neck Posture and Feeding Habits of Two Jurassic Sauropod Dinosaurs
Stevens, K.A. & Parrish, J.M. · Science
Estudo seminal de Kent Stevens e Michael Parrish que usa reconstituições digitais articuladas dos pescoços de Apatosaurus e Diplodocus para inferir a postura cervical neutra. Utilizando o programa DinoMorph, os autores modelam as articulações intervertebrais e concluem que ambos os diplodocídeos mantinham o pescoço em posição levemente inclinada para baixo em repouso, com a cabeça próxima ao nível do solo. O resultado sugere alimentação a baixa altura, não pastejo de copas de árvores. O paper gerou debate intenso que moldou décadas de pesquisa: Taylor et al. (2009) contestariam a postura neutra horizontal, argumentando que animais terrestres vivos erguem o pescoço em posição elevada. A controvérsia permanece em aberto para Apatosaurus ajax, cujo pescoço excepcionalmente robusto pode ter imposto restrições diferentes.
A new specimen of Apatosaurus ajax (Sauropoda: Diplodocidae) from the Morrison Formation (Upper Jurassic) of Wyoming, USA
Upchurch, P., Tomida, Y. & Barrett, P.M. · National Science Museum Monographs
Descrição detalhada do espécime NSMT-PV 20375 de Wyoming, exibido no Museu Nacional de Natureza e Ciência de Tóquio. Trata-se de um dos espécimes mais completos referíveis a Apatosaurus ajax, fornecendo informações inéditas sobre a anatomia da espécie-tipo do gênero, que até então era conhecida principalmente pelo holótipo juvenil YPM 1860. O trabalho de Upchurch, Tomida e Barrett é particularmente importante porque consolida a diagnose de A. ajax e a distingue de A. louisae, facilitando avaliações filogenéticas posteriores. A monografia de 108 páginas inclui descrição sistemática de vértebras, cintura pélvica, cintura peitoral e membros, com comparações extensas com outros diplodocídeos da Morrison Formation.
Caudal Pneumaticity and Pneumatic Hiatuses in the Sauropod Dinosaurs Giraffatitan and Apatosaurus
Wedel, M.J. & Taylor, M.P. · PLOS ONE
Wedel e Taylor descrevem pneumaticidade nas vértebras caudais médias de Apatosaurus, uma feição anatômica até então não reconhecida. Os autores identificam que as vértebras pneumáticas mais distais são separadas de outros elementos pneumáticos por lacunas de 3 a 7 vértebras não-pneumáticas. Esse padrão errático de desenvolvimento indica que os sacos aéreos diverticulares se estendiam pelos animais vivos de forma muito mais ampla do que os traços esqueléticos sugerem. Para Apatosaurus, a descoberta tem implicações sobre a fisiologia respiratória: o sistema de sacos aéreos no estilo aviário provavelmente contribuía significativamente para o processamento de oxigênio em animais com volume corporal tão extremo. O paper, publicado no PLOS ONE, é pioneiro no estudo da pneumaticidade caudal em sauropodes e abre nova linha de pesquisa sobre fisiologia respiratória nos gigantes jurássicos.
The Articulation of Sauropod Necks: Methodology and Mythology
Stevens, K.A. · PLOS ONE
Stevens examina a articulação do pescoço de sauropodes, incluindo Apatosaurus, com base na geometria das vértebras cervicais: opistocelia pronunciada e geometria das zigapófises restringem significativamente a flexibilidade da coluna cervical. Os resultados indicam que os pescoços dos sauropodes eram largamente retos em estado natural, capazes de varrer grandes áreas de alimentação mas com capacidade limitada de retração. O estudo aborda diretamente a metodologia dos trabalhos de DinoMorph de Stevens e Parrish (1999) e responde às críticas de Taylor et al. (2009), que argumentavam que as reconstruções digitais subestimavam a mobilidade cervical. Para Apatosaurus ajax, com seu pescoço excepcionalmente robusto, as restrições biomecânicas podem ter diferido das de Diplodocus, com implicações para as estratégias de alimentação da espécie.
A specimen-level phylogenetic analysis and taxonomic revision of Diplodocidae (Dinosauria, Sauropoda)
Tschopp, E., Mateus, O. & Benson, R.B.J. · PeerJ
O paper mais importante da paleontologia dos diplodocídeos no século XXI. Tschopp, Mateus e Benson conduzem a análise filogenética mais abrangente já realizada para Diplodocidae, pontuando 81 unidades taxonômicas operacionais para 477 caracteres morfológicos. O resultado central: Brontosaurus é recuperado como gênero válido e distinto de Apatosaurus, encerrando 112 anos de sinonimização iniciada por Riggs em 1903. A diagnose de Apatosaurus ajax como espécie-tipo é confirmada, e a taxonomia do gênero é clarificada. O estudo também estabelece posições filogenéticas para dezenas de espécimes anteriormente sem classificação segura, e redefine os limites de Apatosaurinae dentro de Diplodocidae. A revalidação de Brontosaurus gerou enorme repercussão midiática global, tornando-se um dos papers paleontológicos mais citados da década.
Why sauropods had long necks; and why giraffes have short necks
Taylor, M.P. & Wedel, M.J. · PeerJ
Taylor e Wedel analisam por que os pescoços dos sauropodes, incluindo Apatosaurus ajax, atingiram comprimentos extremos. O paper avalia sistematicamente seis hipóteses para o alongamento cervical: acesso a vegetação de alta copa, alimentação em superfícies aquáticas, varrimento de área ampla, termorregulação, seleção sexual e evolução neutra. A conclusão é que vantagem alimentar é o principal fator seletivo. A análise enfatiza que o pescoço de Apatosaurus/Brontosaurus é morfologicamente distinto dos de Diplodocus e Brachiosaurus, com costelas cervicais muito mais robustas e ramos parapofiseais ventrolateralmente orientados, sugerindo estratégias de uso diferentes dentro do mesmo ecossistema. Para A. ajax especificamente, o pescoço excepcionalmente robusto pode ter permitido movimentos de torque diferentes daqueles possíveis para seus parentes mais gráceis.
Broad-Scale Patterns of Late Jurassic Dinosaur Paleoecology
Noto, C.R. & Grossman, A. · PLOS ONE
Noto e Grossman aplicam Análise de Estrutura Ecológica a mais de 100 táxons de dinossauros de doze assembleias fósseis do Jurássico Superior em todo o mundo, incluindo a Formação Morrison, onde Apatosaurus ajax é o diplodocídeo de referência. Os resultados mostram que assembleias de ambientes climáticos semelhantes compartilham estrutura ecológica similar, com proporções distintas de herbívoros de alto pastejo (sauropodes) versus herbívoros de baixo pastejo (ornitísquios). A Formação Morrison é caracterizada por alta proporção de sauropodes gigantes como Apatosaurus, Diplodocus e Brachiosaurus, coexistindo em ambiente semiarido sazonal. O estudo fornece o contexto paleoecológico global para compreender por que A. ajax e seus parentes foram tão bem-sucedidos no Jurássico Superior da América do Norte.
Inferences of Diplodocoid (Sauropoda: Dinosauria) Feeding Behavior from Snout Shape and Microwear Analyses
Whitlock, J.A. · PLOS ONE
Whitlock combina análise de forma do focinho e microscopia de desgaste dentário (microwear) para inferir o comportamento alimentar dos diplodocóideos, grupo que inclui Apatosaurus ajax. O estudo identifica duas estratégias alimentares distintas: diplodocídeos com focinhos quadrados realizavam pastejo não seletivo em ampla área ao nível do solo, enquanto braquiossaurídeos com focinhos arredondados exerciam pastejo seletivo em maior altura. Apatosaurus, com seu focinho intermediário e pescoço excepcionalmente robusto, parece ter ocupado nicho ecológico distinto dos demais membros da família. A análise de microwear dentário fornece a primeira evidência quantitativa para partição de nicho alimentar entre os gigantes herbívoros da Formação Morrison.
Supersonic Sauropods? Tail Dynamics in the Diplodocids
Myhrvold, N.P. & Currie, P.J. · Paleobiology
Estudo pioneiro de Nathan Myhrvold e Philip Currie que usa simulação computacional para modelar a dinâmica da cauda de Apatosaurus louisae, táxon diretamente relacionado a A. ajax dentro de Apatosaurinae. Os resultados sugerem que a cauda longa e afilada dos diplodocídeos podia ser 'estralada' como um chicote, com a ponta atingindo velocidades supersônicas e produzindo um estouro sonoro. A hipótese propõe que esse comportamento servia a funções comunicativas ou defensivas. O artigo gerou enorme repercussão científica e midiática. Análises posteriores contestaram se as velocidades supersônicas eram realmente atingíveis dado o atrito muscular, mas mesmo parcialmente refutado, o paper estabeleceu um paradigma novo na paleoetologia dos sauropodes e é frequentemente citado como exemplo de uso de física computacional aplicada à paleontologia.
Espécimes famosos em museus
YPM 1860 (Holótipo)
Yale Peabody Museum of Natural History, New Haven, Connecticut, EUA
Holótipo de Apatosaurus ajax, coletado por Arthur Lakes próximo a Morrison, Colorado, em 1877. Esqueleto juvenil incompleto que inclui vértebras cervicais, dorsais e caudais, além de ossos dos membros posteriores. A imaturidade do espécime foi a causa da confusão taxonômica com Brontosaurus apontada por Riggs em 1903.
NSMT-PV 20375
Museu Nacional de Natureza e Ciência, Tóquio, Japão
Espécime mais completo referível a Apatosaurus ajax, coletado no Wyoming e descrito em detalhe por Upchurch, Tomida e Barrett (2004). Exibido no Museu Nacional de Natureza e Ciência de Tóquio, é o principal monte de A. ajax atualmente acessível ao público. A análise do espécime forneceu diagnoses atualizadas da espécie e clarificou suas diferenças em relação a A. louisae.
BYU 17096 ('Einstein')
Brigham Young University Museum of Paleontology, Provo, Utah, EUA
Espécime referido a Apatosaurus sp. com o crânio mais completo conhecido do gênero. O apelido 'Einstein' reflete a riqueza de informações cranianas que o espécime fornece. Inclui um braincase bem preservado, elemento raro nos sauropodes e fundamental para compreender a neuroanatomia e a filogenia do grupo.
No cinema e na cultura popular
Apatosaurus ajax tem uma presença na cultura pop marcada por uma ironia central: durante décadas, era conhecido pelo público como Brontossauro, o nome que a ciência havia suprimido em 1903. The Land Before Time (1988) consolidou o apatossaurino Littlefoot como um dos personagens de dinossauros mais amados da animação infantil. When Dinosaurs Roamed America (2001) mostrou o predador-presa entre Apatosaurus e Allosaurus com CGI pioneiro. Mas foi em Jurassic World (2015) que Apatosaurus finalmente ganhou nome próprio no cinema de grande orçamento, com uma cena emocionante do animal morrendo que foi saudada pela crítica científica como uma das representações mais precisas do gênero no cinema. Curiosamente, 2015 foi também o ano em que Tschopp et al. revalidaram Brontosaurus, restaurando Apatosaurus à condição de gênero estritamente definido. A jornada de A. ajax na cultura pop espelha a de seu nome na ciência: sempre presente, mas frequentemente confundido com outro.
Classificação
Descoberta
Curiosidade
Apatosaurus ajax foi durante 112 anos o nome 'invisível' atrás do famoso Brontossauro: quando Elmer Riggs sinonimizou os dois gêneros em 1903, o nome Apatosaurus (1877) prevaleceu por prioridade, mas o público continuou usando Brontosaurus por gerações. Em 2015, quando Tschopp et al. revalidaram Brontosaurus como gênero separado, A. ajax voltou a ser exatamente o que sempre foi: a espécie-tipo de um gênero distinto, não um substituto do Brontossauro. A confusão taxonômica de 112 anos foi causada, ironicamente, pelo próprio holótipo de A. ajax ser juvenil: se Marsh tivesse coletado um adulto, Riggs provavelmente nunca teria sinonimizado os dois gêneros.